Argozelo

Estanho - Tungsténio
Argozelo

A área de prospeção e pesquisa de Argozelo para minérios de tungsténio, estanho, ouro, prata, cobre, zinco, chumbo e antimónio está localizada no NE de Portugal, a cerca de 500 Km de Lisboa e a 30 Km a SE de Bragança. Esta área é de acesso fácil por autoestrada e estradas pavimentadas.

O setor de Argozelo está inserido no núcleo do extenso antiforma Chaves – Miranda do Douro. Este antiforma constitui um verdadeiro eixo mineralizado de direcção NW-SE que compreende, diversos depósitos de estanho e tungsténio que foram explorados intermitentemente desde o final do século XVIII até meados/finais do século XX, como é o caso das minas de Ervedosa, Monte Agrochão, Murçós, Pica Porcos, Paredes, Fontainhas, Ribeira e Argozelo.

A área está coberta por redes de energia e água e tanto as autoridades locais como a população são muito recetivas à atividade mineira.

Enquadramento geológico

A área de Argozelo insere-se na Zona de Galiza Média Trás-os-Montes (ZGMTM – Parautóctone), no bordo sul do Domínio Peritransmontano, na zona de charneira do antiforma Chaves – Miranda do Douro. Este setor compreende rochas de idade Silúrica pertencentes à Formação dos Quartzitos Superiores (quartzitos xistóides e quartzofilitos) e à Formação de Xistos Superiores (xistos cinzentos siliciosos e carbonosos e siltitos), bem como de idade Devónica representadas pela Formação dos Xistos e Grauvaques Culminantes (alternância de pelitos e siltitos milimétricos e quartzovaques). Toda a sequência foi afetada pela orogenia Hercínica através de várias fases de deformação, ocorrendo também durante este período a instalação de corpos granitóides sin- a tari-tectónicos.

As mineralizações associadas a este setor de Argozelo compreendem essencialmente estruturas filoneanas quartzosas com mineralização sulfuretadas e associação de estanho (Sn) e tungsténio (W). Também neste sector se verificam ocorrências de ouro (Au) relacionadas com as fases tardi-variscas (dúctil-frágil a frágil) e que desenvolveram sistemas de fraturas de direcção principal NNE-SSW que controlam a instalação de estruturas filoneanas quartzosas sulfuretadas com possível presença de ouro. Estes alinhamentos são paralelos às grandes falhas Régua-Verín e Vilariça).

Na área de Argozelo, estão identificados diversos estilos de mineralização. Estes distinguem-se em volume, idade, tipo de mineralização, estruturas portadoras de mineralização e processos de mineralização. Geralmente a cassiterite, volframite e scheelite ocorrem numa rede complexa de veios de quartzo sub‑verticais, mas também em brechas hidráulicas, disseminadas em greisen, e, eventualmente,  a ocorrência de scheelite disseminada em horizontes calco-silicatados associados a formações do Silúrico.

Geologia da área de Argozelo e evolução da forma da concessão desde o período inicial até às prorrogações
Geologia do setor de Argozelo
BASE HISTÓRICA E PRIMEIROS RESULTADOS DA EDM

Dentro da área de Argozelo, existem diversas minas antigas que exploraram minérios de tungsténio e estanho desde o século XIX até aos anos 80 do século passado. As mais importantes foram as minas de Paredes, Ribeira e Argozelo.

A mina de Paredes consiste em pequenos desmontes a céu aberto e galerias num greisen com cassiterite e veios de quartzo (N30ºE, N30ºW) com cassiterite, volframite e sulfuretos diversos.

A mina da Ribeira fechou em 1986. Foram explorados 4 níveis de galerias até uma profundidade de 140 m, com galerias de mais de 500 m de comprimento. A mineralização de estanho e volfrâmio ocorre num sistema de veios de quartzo orientados NW-SE.

No prolongamento para SE das antigas minas da Ribeira situa-se o sector do canal do rio Sabor que demonstra potencial para apresentar filões mineralizados com direcções N20º-45ºW e pendor médio 75ºSW, iguais aos que foram explorados intensamente na antiga mina da Ribeira. Observa-se ainda, tal como nas antigas minas da Ribeira, a presença de uma cúpula granítica greisenizada (com resultados de litogeoquímica de 0,09% de Sn e 0,01% de W) a profundidades relativamente reduzidas e próxima dos filões de quartzo, cujos resultados de litogeoquímica evidenciam valores de 0,18% de Sn e 0,01% de W. Este sector assume ainda importância acrescida pelo facto de nele ocorrerem as unidades geológicas calco-silicatadas do Silúrico que poderão conter mineralização scheelítica.

A mina de Argozelo, a mais importante da área, esteve em produção entre 1889 e 1984 onde se desenvolveram galerias de exploração distribuídas por 7 níveis ao longo de 170 m de profundidade.

O SFM (Serviço de Fomento Mineiro) realizou diversos trabalhos que identificaram reservas possíveis de 0,6-0,7 Mt de minério nos pisos 6 e 7 e num possível piso 8 que não foi explorado. Estes trabalhos de reconhecimento indicam continuidade das estruturas mineralizadas abaixo do piso 7 com elevados teores em Sn e W.

Com estas indicações, a EDM desenvolveu trabalhos de prospecção e pesquisa no sector de Argozelo que permitiram avaliar e comprovar as extensões laterais e em profundidade da estrutura mineralizada de Argozelo. Os trabalhos desenvolvidos consistiram em: i) cartografia geológica e estrutural de pormenor que indicaram estruturas mineralizadas com direcção N-S a N70ºE e inclinações W-NW; ii) estudos petrográficos de litótipos e de mineralizações em lâmina delgada; iii) campanhas de geoquímica de solos (que indicaram valores máximos de 576 ppm W e 238 ppm de Sn) e de rocha (com valores máximos de 1,82 % Sn e 0,97% de W); iv) levantamentos geofísicos (IP) que mostraram a extensão lateral da zona filoniana de Argozelo; v) abertura de sanjas nas extensões filonianas de Argozelo; vi) realização de 6 sondagens num total de 1567 m e amostragem de testemunhos para análise geoquímica. Foram ainda realizados tratamentos geoestatísticos dos dados de geoquímica de solos e de rocha assim como a modelação da geoquímica de Sn e W nos pisos 6 e 7 e das galerias antigas, dos filões mineralizados e do envelope de mineralização da mina de Argozelo.

Os valores analíticos das amostras de testemunho de sondagem de Argozelo revelam teores em SnO2 (máx. 10,2%) e WO3 (máx. 1,92%) que associados aos teores de Ca (máx. 5,29%) refletem a presença da mineralogia principal deste depósito (cassiterite, volframite e scheelite). A mineralogia sulfuretada acessória regularmente presente nas estruturas mineralizadas destaca-se nos valores analíticos de Cu ≤15.500 ppm, Zn ≤18.200 ppm, As ≤51.700 ppm e Ag ≤50,5 ppm.

Corte da projeção da sondagem ARG1503, com indicação dos filões, da espessura e dos teores em Sn e W dos intervalos mais ricos
Corte da projeção da sondagem ARG1503, com indicação dos filões, da espessura e dos teores em Sn e W dos intervalos mais ricos
Modelação 3D do envelope de mineralização das minas de Argozelo, extensões laterais e em profundidade da zona filoniana
Modelação 3D do envelope de mineralização das minas de Argozelo, extensões laterais e em profundidade da zona filoniana
5_Paragénese mineral presente nos filões de quartzo intersectados nas sondagens de Argozelo
Paragénese mineral presente nos filões de quartzo intersectados nas sondagens de Argozelo: A – Filão de quartzo com volframite e sulfuretos; B – Brecha com cassiterite; C – Filão de quartzo com scheelite; D – Filão de quartzo com cassiterite