Origem

As origens da EDM remontam a 1966, ano em que foi criada a S.M.S. – Sociedade Mineira de Santiago (Grupo CUF), que descobriu o jazigo do Gavião e, mais tarde, em 1977, participou na descoberta de Neves-Corvo, jazigo de cobre e estanho de classe mundial. A S.M.S. foi, em 1979, transformada na EMMA – Empresa Mineira e Metalúrgica do Alentejo, EP que, em 1982, passou por alteração estatutária, a EDMA – Empresa de Desenvolvimento Mineiro do Alentejo, E.P, atuando predominantemente no subsetor dos sulfuretos polimetálicos. Mais tarde, com a publicação do DL n.º 148/86, de 18 de Junho, constituía-se a EDM, EP, em resultado do processo de fusão das empresas públicas EDMA – Empresa de Desenvolvimento Mineiro do Alentejo, E.P. e Ferrominas, E.P., no quadro do DL n.º 260/76, de 8 de Abril.

Na sequência da publicação do Decreto-Lei n.º 313/89, de 21 de Setembro, a então EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, E.P. foi transformada em pessoa coletiva de direito privado, sob a forma de sociedade anónima de capitais maioritariamente públicos, passando a denominar-se EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A..

Desde a sua origem, a EDM assumiu funções estruturantes no setor mineiro nacional, assegurando tarefas de operador setorial do Estado Português e assumindo o papel de empresa “holding” para esse setor.

Ao longo dos últimos decénios e, em especial, na década de 90, a rápida evolução tecnológica fez diminuir a importância relativa dos setores baseados nas matérias primas, principalmente nos países mais avançados. No caso da Europa, um dos continentes com maiores exigências ambientais, com salários mais elevados e sem o potencial mineiro de outras regiões, a sua indústria mineira foi drasticamente reduzida.

No entanto, o recente desenvolvimento económico de vários países emergentes, com enormes e acrescidas necessidades de produtos industriais e com um potencial de crescimento muito elevado,  casos da China e da Índia, faz com que os metais tenham recuperado um lugar de relevo na economia mundial como suporte de vastos setores da indústria transformadora.

Neste contexto, merecem especial destaque o cobre e o zinco, dois dos mais importantes metais-base, ambos existentes em quantidade apreciável em Portugal, juntamente com outros elementos menores de grande relevância nas indústrias das novas tecnologias, como é o caso do índio.

Fluxo Historial

Das etapas mais marcantes há a assinalar:

Anos 80 – A década de 80 ficou marcada pela criação da SOMINCOR – Sociedade Mineira de Neves-Corvo, SA e o consequente desenvolvimento da exploração de Neves-Corvo, a maior mina europeia de cobre. Neves-Corvo, jazigo de classe mundial pela sua tonelagem e teores anormalmente altos de cobre e estanho dos seus minérios, foi descoberto em 1977 pela Associação luso-francesa SMS-SEREM-SMMPP, em alvo gravimétrico previamente evidenciado pelo Serviço de Fomento Mineiro. A EDM deteve a participação maioritária de 51% e a SEREM-SMMPP ficou com 49%. Esta posição minoritária veio a ser adquirida pela Rio Tinto em 1985. O valor bruto da produção desta mina já ultrapassou os 2.500 milhões de euros.

Anos 90 – Caracterizados por um primeiro período em que se verificaram progressos nos ensaios, vindos da década anterior, de tratamento mineralúrgico dos sulfuretos maciços polimetálicos e em que foram desenvolvidas tentativas de exploração e aproveitamento dos minérios complexos de Aljustrel para produção de concentrados à escala industrial. Na segunda metade desta década, foi dada primazia à atividade de gestão das participações sociais nas diversas sociedades ligadas ao sector mineiro português, assegurando as necessidades de financiamento e de tesouraria da Empresa Nacional de Urânio, S. A. (ENU), integrada no Grupo em 1992, das Pirites Alentejanas, S. A. (PA) e da Empresa Carbonífera do Douro, S. A. (ECD). A partir de 1998, num contexto de profunda depressão das cotações do cobre, foi dada ênfase à racionalização de atuações e reduções de custos.

Anos 2000 – Reestruturação global, passando a EDM a ficar confinada à gestão das participações sociais, tendo a atividade operacional sido transmitida para a esfera de uma sociedade por si detida, a EXMIN – Companhia de Indústria e Serviços, S.A. A EDM desencadeou uma política de desinvestimentos, com a venda e/ou liquidação das sociedades participadas não produtivas.

Entretanto, no seguimento da deliberação do acionista Estado, veio também a ser alienada, como resultado de concurso público, a participação da EDM na Somincor, concretizada em 18 de Junho de 2004.

EXMIN – O objeto social da “nova EXMIN” foi alterado no sentido de passar a integrar as atividades de prospeção, exploração, transformação e comercialização de substâncias minerais metálicas e não metálicas, a investigação aplicada e prestação de serviços relativos às geociências, ciências de engenharia e ao meio ambiente natural.

“Nova EDM” – Com a alienação da participação maioritária da EDM na Somincor-Sociedade Mineira de Neves-Corvo, SA, tornou-se necessário proceder a um novo enquadramento do papel da EDM no setor mineiro, pelo que foi decidida a fusão da EXMIN na EDM, atendendo à especificidade das responsabilidades de natureza ambiental que impendem sobre a EDM, resultantes de antigas explorações mineiras detidas pelo Estado.

Esta operação de fusão, por incorporação da EXMIN na EDM, foi concretizada em 30 de Setembro de 2005, veio permitir dotar a estrutura existente de uma acrescida flexibilidade económica e financeira, tornando possível o desenvolvimento coerente e integrado da atividade de recuperação ambiental de áreas mineiras degradadas, requalificando-as, promovendo a segurança e o bem-estar das zonas envolventes e propiciando novas soluções para o desenvolvimento económico das regiões em que se localizam. Será também possível a reabilitação do património imobiliário de muitas das áreas degradadas, inclusive através de uma maior articulação com a EDMI – Empresa de Projetos Imobiliários, S.A., detida a 100% pela EDM.

A focalização da atividade da “nova EDM” na área ambiental mineira é uma medida estratégica de grande alcance, por possibilitar uma oportunidade única para, com o benefício de consideráveis apoios externos (FEDER), resolver um grave problema que afeta a qualidade de vida e economia de várias regiões deprimidas do País.

Permite, ainda, desenvolver e aprofundar conhecimentos especializados às empresas de serviços e de construção civil e a diversas outras entidades que, direta ou indiretamente, são envolvidas nos projetos a executar, podendo daí vir a criar capacidades para intervenções no exterior, designadamente, em novos países membros da U.E. que também têm graves problemas ambientais na área mineira.

Sendo certo que o potencial geológico-mineiro remanescente do território nacional é ainda muito considerável no contexto europeu, o papel de uma empresa como a EDM, para além da sua missão na área ambiental, emerge agora também com interesse estratégico renovado para o desenvolvimento do setor mineiro em Portugal.